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Como os autistas aprendem?

Emanoele Freitas*

Emanoele Freitas - Presidente da AAPA

Emanoele Freitas palestrando sobre mediação escolar

Durante muito tempo estudei e pesquisei sobre a forma de aprendizado do autista, tendo como base de estudo meu próprio filho, um autista moderado com afasia congênita infantil. No entanto, esse diagnóstico demorou quatro anos e meio para ser fechado após seu laudo de autismo. Isso me fez perguntar: por que tanto tempo para um laudo detalhado?

Durante esse período, alguns profissionais diziam que não havia necessidade de maiores dados, pois o laudo seria apenas uma rotulação do indivíduo. Em outro, ouvi que seria um engessamento de sua capacidade. Essa questão me fez pesquisar bastante sobre o tema. Então, aprendi que “ um argumento para o rótulo do diagnóstico correto é o argumento do tratamento apropriado”. E é nesse argumento que baseio toda atividade para um indivíduo com o Transtorno do Espectro Autista.

O trabalho de observação permite não só a identificação do grau de autismo como indica a forma apropriada de como sequenciar o aprendizado. No entanto, acompanhar o cotidiano de vários autistas foi o fator relevante me fez não me conformar com um simples laudo. Por exemplo, nenhum possuía características parecidas, mas todos aprendiam. Alguns com mais facilidade e outros com mais dificuldades.

Então, surgiu uma nova pergunta: por que para uns ocorre de forma relativamente apropriada e para outros mesmo com os estímulos esse desenvolvimento não acontecia? A resposta estava no laudo constando o diferencial de cada um. Isso que potencializava e, principalmente, fornecia um norteador aos profissionais que atuavam com nossos filhos.

Esse fato mostra que, mesmo com comprometimentos graves, o autista consegue aprender. Isso só é possível com um ensino estruturado, ou seja, com a organização dos processos de aprendizagem e a apresentação da sequência lógica ao acontecimento. Dessa forma, estimula-se a evolução do aprendizado, inibe comportamentos disruptivos e crises de ansiedade.

Mas o que auxiliará nesse processo? Quanto mais próximo da realidade daquele autista, mais rápido será a absorção. E uma das atividades mais fáceis de se compreender são aquelas relacionadas aos aspectos visuais. É também importante que haja uma sequência do que é feito tanto em casa quanto no ambiente escolar. Esses fatores favorecerão a aprendizagem.

Por que é importante? Diariamente, realizamos ações de forma automática sem prestar muita atenção nisso. Já os autistas necessitam de uma sequência visual para uma execução mais apropriada, como, por exemplo, sequenciar o primeiro momento do dia, o horário de levantar, escovar os dentes, tomar banho, vestir a roupa, pentear os cabelos entre outros. Tudo isso é simples para nós, mas para eles é bastante complicado.

É fundamental ressaltar que o processo de aprendizagem com crianças e adolescentes com TEA não acontecerá da noite para o dia. Por isso, o autista precisará de muita atenção e cuidados da família e, principalmente, da escola.

 

(*) Escritora, pesquisadora, palestrante, mediadora escolar e familiar, além de ser Presidente e fundadora da Associação de Apoio à Pessoa Autista (AAPA) 

 

Revista Ana Maria - 03 08 - AAPA

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